domingo, 1 de novembro de 2015

sobre sua ausência

nesse teclado inútil que já sabe as palavras que uso não sei escrever teu nome em vão com ele eu sonho os dias que virão


enquanto teu coração dança e a alegria te pertence enquanto a noite se arrasta em mim numa musicalidade ausente tudo agora é distante

distante é uma palavra
que sabe trazer a dor

dor é uma palavra que tenta escapar da sina do amor

sobre o amor falta-me as palavras

sobre a palavra o mundo é uma draga que tudo devora com fome e sem perdão

sobre o perdão palavras são silêncios que acalmam o coração

no coração não há certeza ele só bombeia emoção

emoção é pensar em alguém e não tocar esse alguém é sentir aproximação

aproximar é quando o medo congela
congelar é se ver no olho dela

gira o mundo a canção o ritmo e a festa o tema ainda é ela

ela é uma queda em mim é uma queimadura no meu coração ela é tanta coisa e sem definição

definir é roubar palavras é querer conter definir é morrer

morrer é tão comum tão visceral em mim quando não tem ela o mundo é só ausência

ausência é assim ela vai e tudo é fim

fim é vontade louca de voltar

voltar é fome de amar

amar é tão clichê é sobre a vida e sobre você

você é quem fica aqui inundando o vazio que há em mim

de mim tudo é sabido sou bobo tolo, mendigo

imploro razão desfolhando questão e deitando poesia no chão

o chão é o infinito o dito é o que sinto

agora meu peito é solidão a tua ausência é toda emoção

onde estiveres nesse desconhecido mundo de você eu sou o vento que chega pra te ver

sou o cego o que não sabe de você sou aquele que sonha e não te vê

diante de ti um algo mais, adiante de ti um nunca mais, depois de ti o abismo que jaz, em ti nada é demais e o amor se refaz






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