domingo, 15 de novembro de 2015

sobre a dor

O amor me desconforta,
há um amor que não recebo
ele é uma seringa vazia
injetando ausência em mim.

as paredes do mundo
vão caindo distante de mim
e não percebo
o outro lado da minha emoção.

meu coração acusado
coração covarde, rude
vasto e desabitado
mantido num exercício 
de solidão.

quem se atreve 
a caminhar em mim
por uma ideia de amor,
um momento seja
qual for.

o amor ocupa tudo
que é desabitado em mim
e, sinto essa suavidade
que vem me matar.
o amor me olha,
sorrir e acerta meu peito.

brincar de viver
e o amor me convida
a morrer.
chega de dor,
o amor vem atenuar
a vida em mim
ele me rouba tudo
e me deixa só em mim.

o amor depois me abandona
na vastidão do mundo
o amor não permite mais
que possa viver,
ele quer antes viver em mim,
assim aprendo a morrer.

o amor em mim
viver e morrer.

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