terça-feira, 10 de novembro de 2015

olhar de regressar

eu existo lusitanamente
possuído pelo desejo
do mar
onde os homens
navegam sonhos
de regressar

numa solidão desnecessária
um punhado de pessoas
alimentam diálogos
de esterilidade
diante de uma porta
abandonada onde
uma casa sonhou existir

há um olhar vazio
sobre os versos
de cada presença sentida
há um olhar vazio
sobre toda mesa desocupada
um olhar vazio
sobre praças sem passeio
olhar de adeus
que não sabem
do calor de abraçar,
mas sempre haverá
o olhar de regressar



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