segunda-feira, 30 de novembro de 2015

descomplicando (ou quando ser feliz é o que importa)

desabitar é inundar de vazio um coração.

desamar é desabitar o amor do coração

toma o dia de presente e não seja mais 
alguém ausente um dia inteiro pra você eu desjuro te amar até você acordar

Fica longe E vem Bem perto Fica simples Suave como se nada Bastasse e o Amor fosse a última ideia, E de você houvesse um pouco de agonia

Fica simples Como se sorrir não bastasse Como se teu medo fosse coragem E assim diz o que teu coração Esconde. Fica no lugar de amar

tu quer medir o tempo aprende a medir teu coração

é simples tão simples que parece complicado

cartas de adeus

você sabe existir febril enquanto a beleza 
brinca ao teu redor há uma sede 
que teus olhos anunciam

hoje eu já te falei segredos de quando não te sabia já te jurei amores com juros eternos

já disse palavras que não te cabia e fui visitar teus sonhos com olhos de desejo e te encontrei na rua quando em ti tudo chovia

já descansei meus dias já perambulei em ruas já fiquei sentado assistindo o mar querendo te banhar já revi o filme da tua tristeza

já escrevi teu nome nos livros alheios já rabisquei os muros com a cor do teu cheiro

já guardei o meu sono já percebi os teus sonhos e fugi do assombro que tu teima em findar

afastei o meu nome desisti do confronto que guerreiam por ti
não te quero distante nem matando o gosto que ainda sinto por ti

esse teu adeus é infame tu só fazes abandono eu prefiro sonhar

vou dizer o teu nome e depois caminhar vou ali no distante pro teu amor me negar

ainda saberei viver depois que o céu se acabar

agora passam os dias inclusive passou sua ausência em mim horas inteiras em esperar você cansou e nem soube ficar

vá e leve seu amor, livre e amar, 
sem complicação
amar é só amar ficou muito em mim saudade e gratidão

domingo, 29 de novembro de 2015

outra dimensão

eu vi a porta 
onde tudo se esquece a porta que apaga o mundo 
dos amores esquecidos

na tua porta eu avistei teu riso reprimido e um jardim esquecido

na tua porta
de tantas portas eu sumi na luz que me apagaste

na ante porta que revela tua casa eu te vi escondida uma penumbra de quando havia uma mulher
projetando ensaios
de amor

o risco de existir

caminhos enfeitados com pedras amores de faz de conta desenhados no papel

desde que você desistiu do amor eu contemplo sua triste desistência enfeitando a dor com palavras vazias

eu prefiro existir com a minha dor a ter que afastar-se por não saber do amor

estratégias

essa minha cor acinzentada 
e os tijolos da minha aparência
são homenagem 
ao seu afastamento,
sutilezas no exercício 
de matar alguém em nós

depois de vivo, 
nada some para sempre resquícios do vivido surgirá, 
uma dor, um fantasma, 
uma imagem do amor.

do teu lado da fronteira
é onde supões existir amor
aproximar-se é o teu risco
o medo de encontrar sentimento
nas areias do deserto


sábado, 28 de novembro de 2015

recados

esses recados que joguei no teu telhado não sabem nada dos teus beijos

vou ali calar esse desespero sem você em mim

noite das ausências porque me ensinastes a amar bem no fim da minha vida?

falei de você em cada palavra em cada intenção agora vem e conforta a agonia do meu coração

somos assim

eu sou o sapo tu és a janela eu sou a chuva e tu a água de toda sede eu sou a rede tu és o chão eu sou a fome tu a mesa que anuncia o pão

sou a vela tu o candeeiro sou o tosco tu a flor do cajueiro sou a praia tu o navegar sou verbo tu és o conjugar sou o verso tu és o declamar


teu nome

adoro anunciar em mim o sabor desse teu nome proibido, permitido apenas na mentira dos instantes e na verdade dos desejos

teu nome um lugar perdido encontrado vagando em mim assim teu nome é um caminho um carinho que começa no silêncio que existe em mim


só você

só quero ser o desejo em que escreves meu nome

o fogo acesso da brasa que queima suavemente enquanto a brisa ajunta os corpos

hoje eu te amaria até o amanhecer de qualquer dia amar sem saber do risco que é amar você.

o lobo ao luar

poesia sem lugar algum indefinida em mim e teus sinais é uma comitiva de amores intermináveis agonia-te em mim que eu te quero ainda mais

vem mulher vem logo me falar de ti de teus amores e alimenta essa minha vontade de te devorar
(serei o lobo que habita o desejos dos amantes)

conversa sobre o encanto da dor

a poesia é uma rede 
onde embalo meus sonos e descanso meus sonhos
só por hoje eu me divido entre o sono e a alegria

é tanta noite 
que não sei que horas são horas serão horas que vão
agora o mundo real me acorda eu despercebo das horas e procuro uma forma de colher o teu o pão
toma o meu amor 
por essa noite
vou fazer tapioca e vou jantar o mundo inteiro
e eu fazendo tapioca 
que não sei fazer essa fome que a poesia traz

poesia é tapioca bem feita tapioca é uma poesia querendo te morder

se eu fosse dois mataria o outro eu que com certeza também te amaria

teus banhos e teus sais meus olhos de fome e a vontade de um querer-te ainda mais



noites de nunca mais

a noite e a madrugada uma diversão de dança
dançar é extravasar deixar o corpo falar
o dia nasce rápido tudo renasce em mim
agora uma gandaia me espera vou me esbaldar
enquanto sonho
em querer você (eu volto)

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

o corte da navalha

teu retrato em mim é um esquecimento da eternidade teu retrato é uma palavra escondida tua palavra é uma miragem que não sei retratar

tua lembrança
é uma navalha
que usa meu coração
pra poder se afiar

zoo

agora canta o grilo e uma coruja veio fazer morada aqui um gato descansa aos pés do abandono e o cão late anunciado uma chegada de passos

quando ela me esqueceu

vou saindo aos poucos sem alarde sem o choro da saudade depois é curva feita e todo caminho quer seguir

abandono-te no melhor dessa agonia abandono-me ainda que tarde bem cedo eu já partia


de braços abertos

vou pular eu disse, e as espumas de sabão espalharam-se todas um evento lúdico na banheira.

vou me jogar
eu disse, e os travesseiros juntaram-se numa espera de conforto e camas

vou me entregar eu avisei e teus braços com que sonho anunciam-me as fronteiras do teu corpo, um confronto um descanso

tua fome

era o pão que procurava a rima era o verbo que tragava era a fome que bailava era noite que gozavas era a palavra desfrutada
o amor que comungava

Testamento

vou matar o poeta que há em mim esquartejar seu corpo em cada letra do alfabeto (chega de sentimentalidades!)

se ao menos alguém ler eu vou saber que todos vão saber de você aqui 
em mim

agora uma noite inteira toma posse de mim

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

navegar

quando ela me diz 
que vai para o banho eu quero ser 
toda água que há

a palavra é navegar

se eu te navegar tu serás o barco eu serei o mar se eu te navegar tu serás o porto serei o ancorar se eu te navegar serás brisa eu o mar

se eu te navegar serás também o mar eu serei a onda tu serás a praia inteira

se eu te navegar tu será depois do horizonte onde vou querer chegar se eu te navegar serei a madeira da tua nau o sal de cada mar

se eu te navegar navegas em mim também sereia do meu mar tanto mar pra navegar então, amar

na tua porta

o mundo calou o sensível em mim talvez a arte consiga resgatar minhas falas perdidas...

o seu sentimento 
é importante o meu por você 
é imprescindível

poucas pessoas 
sabem habitar em mim sem querer ir e sem querer ficar

ela sabe fazer tanta magia e fazer surgir alegria

eu passei correndo na porta dela ela riu e acenou eu fico menino lembrando cada gesto dela serão gestos de amor? quero nem saber

quero viver o que esse agora me proporciona ser menino na porta dela

colher risos e palavras e depois cuidar da minha tolice

importa é o meu velho coração sentido o que importa sentir

esse sentimento é meu
ofereço ele a quem necessitar porque através dele aprendi sobre o amar

algo em troca? quero nada só sentir a minha emoção.





fique pensado

não fique pensado 
porque eu digo que te amo é porque eu te amo mesmo, as vezes é pura contradição, as vezes é pra enganar o coração

se digo que te amo as vezes nem amo mais as vezes até demais noutras vezes o amor nem existe mais

se realmente eu te amo eu não sei sei que amo esse amor que sinto nem sei se você importa mais

as vezes eu quase amo as vezes o amor quase é demais e o amor volta pra mim rindo do que te ofereci

quado digo que te amo eu penso tanto que quase não te digo mais e fico dizendo pelos cantos do amor que sinto sem dizer jamais

quando digo que te amo é porque você não me escuta mais não me vê jamais e nem sabe desse palavras que exponho em mim como castigo demais

nem sei o que digo falo demais escrevo insensatez e se digo que te amo (é porque o amor veio 
e levou o meu dizer, levou palavras de você)

não digo mais que te amo só direi que amo só amo(r) só

entre a palavra e a magia

quero uma palavra mágica alguém sabe (? )

Há uma palavra mágica 
para cada poesia,  
a minha palavra 
eu sigo a procurar

há uma palavra 
que traduz cada pessoa a minha palavra 
eu quero encontrar

a palavra do dia foi o dia a palavra da noite 
também será dia


que palavra encontro
na palavra alquimia
e tua palavra te traduz?!

eu tenho uma palavra: você.
sou o outro dessa palavra
então somos a mesma palavra


terça-feira, 24 de novembro de 2015

sem olhos

agora a poesia não é de ninguém, ela será de todos de quem quiser de quem se apossar dela e souber sentir o doce corte que ela engendra

dispo-me dessa cena sigo nu diante da multidão cega quero me vestir de viver

adoro quado tu mentes recaí sobre ti um plano calmo e sereno de risos uma suavidade de verdades desejadas

assim saio de mim e sigo a navegar teus abismos um vasto mundo de cores uma imensidão de ti esperando ser habitado pela fome dos amores

ato de poesia

essas pedras são bandeiras para toda agonia que lamenta nessa terra amar é passar e voltar com o tempo

agora sirvam o vinho e que dionísio devaste os tolos corações dos amantes

amanhã eu te amo amanhã eu te como amanhã não tem planos amanhã não te encontro mais

voaremos juntos ou nunca mais dorme acorda e vive em paz meus amores de solidão

diante da tua imagem

anormal é meu coração voando solitário entre sonhos e ausências voando em torno de você

saudade é uma espécie de dor
eu fumo e bebo teu amor
assim aos pedaços
em mim

um teimosia constante
que nos revela,
retribuir
sem receber


terapia de chão

hoje resolvi deitar no chão frio da casa
deitado em mim ao som de rock e agonias poéticas

lembro teus olhos enormes fitando meu horizonte
Olhos de profundidade Absurdamente a me fitar

aquela mulher longe de mim distante de mim se afastando de mim que eu amo e não amo
tanto assim

vou ali outro viver outro aprender te lembrar
pra nunca mais te esquecer
te esquecer
para poder lembrar
do chão que há em mim
e ele é habitado
pelo amor

tessituras

já te disse de que sou feito barro inútil das palavras nervos limbo e doces pedras coloridas


falo de amor 
ao som absurdo de guitarras é meu peito 
querendo tudo abraçar

falamos e calamos palavras porque o amor é sempre tão devastador

meu coração, uma vassoura velha varrendo as ruas da solidão e você transeunte sem razão que passeia nessa agonia deixou o lixo da paixão

teu retrato

sobre a noite de nunca mais era mentira e amor sobre hoje uma espera sem cais vou te sonhar no portão
esperar é deixar o amor 
fazer sombra

ela é surda e muda e cega 
e só sabe condenar e seu amor é um saco de pedras 
em que me amarro depois ela vem suave 
e adormece em mim

ele tem o espelho
dos abismos
o medo
dos vitrais
o corpo em delírio
e um querer
de nunca mais

numa praia distante

acontece que ela só quer ser distância

eu sou o vento, a brisa, que segue, 
que voa, voa e sonha em aportar

vive feliz quem sabe do mar
vive nas águas do navegar

eu vivo na terra em que as pessoas só sabem abandonar

então resolvi, também quero ir pro mar

só não sento mais naquela praia triste onde ela resolveu pensar em mim pensar sobre um amar


sábado, 21 de novembro de 2015

quando ela dorme

o sono é tão raro que vou esperar por ele lá por volta do meio dia

o corte é tão fácil que vou deixar o sangue brincar com meu papel de poesia

ficar calado e falando sozinho é correr num rio congelado nos teus olhos rio que me persegue e no deserto em que me descubro sou apenas só

quando tu foges sem razão alguma tudo quer ser aparente tudo de ti é subliminar quando tu foges vou te procurar em mim

acorda amor o dia lá fora quer viver em ti

quando fui às compras

comprei papel de parede pra desenhar palavras sem você

comprei uma parede nova pra diminuir o espaço que te pertencia

comprei versos pregos e espinhos comprei pão fumaça e café falta comprar um vestido pra te despir quando você vier


madrugadas

é nas madrugadas que minha alma se desdobra em querer viver madrugadas de sonhos que não durmo madrugadas em busca de você

e se você sorrir eu volto a sonhar se ao menos você sonhar eu sei que o dia é triste e vale acordar


o rubicão de mim

passei correndo nessa estrada brisa sem você passei correndo no rio da solidão passei por mim e não pude mais voltar

agora não importa tanto importa o quanto você levou do meu coração

e quando os dias voltarem com o sol que tu não sabes eu te farei brilhar o que faltar na tua mão

esse peso de existir é tão cortante que quase me faz sentir prazer antes de me devorar

certidão de nascimento

miserável que sou erguido e ébrio no barro podre da poesia criando lamentos de uma criatura indesejável mentindo até acreditar no amor

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

era mesmo você

quanto eu te reconheço, de longe eu te aceno eu te evito eu te duvido e também te amo

quando eu te reconheço, eu nem sei andar direito eu nem quero chegar perto eu só quero te amar

quando eu te reconheço, nada mais tem preço nada mais eu quero só de longe a te olhar

sabia que eu te vi e nem sabia que era você nem queria saber quem era de tão especial eu nem sei mais olhar

quando ela grita

acalma teu coração acalma essas pedras e esse desentendimento que só quer a ilusão

acalma-te no caminho que não sabes caminhar acalma-te na beira desse mar acalma teus olhos de remar

acalma-te e vive teus dias acalma tuas mãos e não durma com tanta agonia acalma-te que amanhã quer chegar


escondendo-se

olhando o convite das folhas o abandono dos deuses e as mãos sedutoras olhando o adeus indeciso a crônica dos sonhos e a vela em chama

olhando como quem espia os outros e não sabe das falas e perfuma quimeras

olhando com com medo medonho e um azul bem tristonho de um quase chorar olhando por não ter mais segredos por velar tantos medos
e no tempo dos beijos só saber se calar

significâncias

eu desço desse manto que me visto e habito tua estranheza abissal (quando a alcateia contemplou seu lobos)

era um bordado era quase um clichê era um olhar desmesurado (era um querer e um não querer)

era um jogo era uma linha tênue (era um amor simplesmente borderline)

tempo de chuvas

passeio desigual teu coração navegando castelos minhas mãos batendo a poeira das palavras

o tempo me arrastando para um lugar de procura onde tudo quer se encontrar

o tempo me faz envelhecer e as palavras que não leio me separam de você

exposta em mim

quando eu era louco era mais feliz
agora o mundo é tão pouco e a felicidade é quase uma obrigação

queria o descompromisso de viver
hoje é só
descrença e solidão

guarda-me no esconderijo de ti ali onde a chuva vem enfeitar as águas
guarda-me onde as palavras podem chegar lá onde tu desejas falar
guarda-me contudo
onde teu coração deseja estar
guarda-me nessa dor que não chegou e no dia que virá
guarda-me apenas na condição de poder amar

e eu saberei guardar o teu amor em qualquer lugar em que o meu silêncio possa te falar




quinta-feira, 19 de novembro de 2015

estética de você

essa estética de você que não precisa explicação eu consigo sentir

eu existo além da dor e sei viver o amor

o conforto namora
com o sentimento ofertado

só por hoje eu quero sofrer um pouco mais só por hoje e nunca mais porque esse momento também se desfaz

no espaço vazio da razão
a poesia namora
com nossas respostas
e se as pessoas somem
deixam marcas em nós
é no abismo de cada homem
que a existência vem caminhar


Pra não ser lugar vazio E pra você sobreviver desafiar a existência
bem ao lado de você




nas horas de chegar

em mim correm as horas de mim correu meu coração agora

vou correr sozinho vou fazer caminho
vou embora
abrir caminho
no teu coração

se você me espera então vale a pena esperar
se você me espera então existe uma porta uma possibilidade
eu demoro o dia todo só pra ver você esperar
eu demoro, muito embora eu só quero chegar
sou grato por sua espera e quando chegar trago apenas a novidade dos velhos abraços