quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Palavras de Meiguice

Como pode alguém
não querer ser meigo,
o que é ser meigo
nos dias em que as pessoas
devoram pessoas,
onde prevalece a dor
antes do afeto.
Como pode alguém
não querer ser meigo
diante de tanta dor espalhada
como forma de contato.

Ser meigo não é falha
nem disfarce,
ser meigo é dizer
não ao que está posto,
e oferecer a meiguice
como outra condição
perante o caos social.

Ser meigo não é apenas
uma condição doce de ser,
é ser meigo e amar,
ser meigo e ser firme
nas posições,
ser meigo e saber lidar
com as condições
do outro,
ser meigo e existir,
criando condições
para que o outro
possa ser meigo
e possas ser também.

Porque ser meigo
não é ser menos
do que se é.
Ser meigo é parte da condição de ser.
Ser meigo é uma escolha
diante dos sentimentos
oferecidos no convívio.





Palavras Do Amor Que Morreu

do amor que você me deu eu fiz a cama, e estendi desejos pra você pisar em mim.

daquele amor todo, pouco, louco, vagabundo eu banhei meu rosto, e bebi desgosto, eu sentei nos sonhos e dei a volta ao mundo
quando você veio
em festa e rojões,
e se abriu pra mim
feito o mar vermelho,
eu te comi até a alma,
eu te comi o mundo inteiro.

e quando você chorou
silenciosa na calçada
e abandonou a rua
como quem se atira
no mar de corpo inteiro,
eu estava do teu lado
e senti a tua dor
como se fosse a dor 
do mundo inteiro.

e depois você sorriu
louca nas varandas,
e gargalhava de euforia
e se atirou pro mundo,
como se ele fosse uma
frágil criatura,
eu te agarrei pelas escadas
eu te amei pelas estradas,
eu te amei o mundo inteiro.

e quando você morreu
silenciosa nos meus braços
e, derramou uma lágrima
por uma dor do
mundo inteiro,
eu sofri do teu lado,
e morri de corpo inteiro,
era tanta agonia
e a falta de amor
era dor do mundo inteiro.




quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O Vazio de Tudo

O centro do lugar
É o espaço
Do meu coração
Não quero apenas morar
Quero habitar
E fazer parte do lugar.

Juntos na alegria e na dor
E na ausência de todos.
Tão longe, pequeno e escondido,
fica ali dobrando a esquina namorando Caronte.
jogou charme com aquele coração todo.
Viva Plutão.

Um degelo do teu coração
Gestos de juntar e afastar
Silêncio, ódio e comunhão
Amor, sexo e confusão,
Do que somos capazes...

Sentada nessa escuridão de palavras alheias, 
ela nem se percebe.
Todos recolheram-se.
Só ela sabe do amor
Que homem algum
Não sabe amar.
Ela sabe desse amor que há nas cinzas
Poço do deserto e chave sem portas
Ela tem o poder das magias
De todas as palavras.
Longe dela os outros não existem.
Perto dela todos são ninguém.
Perto dela ninguém é nada.

Meu jardim é um canteiro de pedras.
Todos passam e deixam lembranças.
Mais não sei ainda nem importa tanto
Importa ser agora
Sendo assim serei um dia
Então ainda não sou
Será meu medo de ser.

Se ela não é ela, quem será esse tormento 
que fica vagando em minhas palavras.
Assombração de amores desfeitos,
Arrasto correntes pra mim mesmo,
Sou meu próprio fantasma.
De longe nem ela nem ninguém me reconhece, 
assim passo despercebido por ruas e praças
Vou repetir o café enquanto a chuva conversa comigo sobre o frio
Quando ela me assombra com sua falta de palavras e olhos de multidão, 
eu corro para janela do meu medo e aceno como alvo.
Enfrentar o ser e o nada em busca da angústia.
Ela é um fantasma com riso e sonhos nas palavras, 
e eu um tolo que desaprendeu a viver.








Sobre as Razões do Mundo


Vou cantar enquanto Demoras / vou cantar enquanto te banhas / cantar Sobre o prazer
Ah mentira! Quem te fez assim tão imperfeitamente sedutora / enganando todos nós amantes irreais,

o amor me pegou sem esperar
me fez apaixonar
o amor veio e nem avisou.
o amor me feriu e me abandonou,
o amor me fez sofrer e calar
o amor partiu,
um dia há de voltar
vou ficar na esquina
do abandono
vou esperar
e quando ele vier
vou correr
pra nunca mais amar

tentando escapar de toda ilusão
resolvi desacreditar no que acredito.
Ando vendo muitas mentiras quando necessito de verdades.
Tudo mata e morre,
Inclusive o amor.

Criar é melhor que sonhar
Sonhar é melhor que chorar
Chorar é quando o peso e a
dor do mundo desaba sem avisar.

agora
nada (ou tudo)
mais importa,
só importa é
curar-se
de tanta desimportância,
nada comporta
a dor
quando ninguém se importa.
O que importa
se ninguém se importa,
trancar-se em portas,
o que importar mesmo agora é outra história, conversa de bar, confissões de pecado e amor.
não importa jogar, importa você, gozar e amar.
não importa o saber, importa se tenho você.
o mal, vou cortar pela raiz.
não quero ter razão, quero teu amor e teu coração.

Palavras de Continuação

Obscena, me disseram sobre ela.
Sabe amar, respondi.

Teu desespero de existir
É um eco na minha mortalidade.
Resistir e enfrentar a dor,
Organizar teu caos é refazer o amor.
Ser livre, escolher
Navegar, navegar, por mares tenebrosos 
e viver, nossa angústia.

Saber é deixar de ser.
Não saber é não ser

palco sombrio de descertezas
Lâminas do querer
Uma carta escrita em sonhos,
A lua perdeu seu brilho, perdeu-se em luz, 
a lua atraiu o uivo dos amantes, a lua se fez aos loucos.
E o mundo não passa de uma carta cega.

Amanhece, o café me chama para contornar a mesa.
ela é uma deusa,
não sabe ou finge não saber,
apenas contemplo o seu poder,
assim, imagino a eternidade.
A noite venceu sobre mim,
e o dia que vivi
é o seu troféu.
No sono vou descansar
meus sonhos,
amanhã tenho que me continuar.


Palavras do Coração

Ela não existe,
nem o desenho dela,
nem as palavras sobre ela.
Tudo inexiste nela.
Em torno dela tudo
quer existir.
Ela é uma teoria poética.

Esse é o dia, monstro da minha agonia,
Sempre a surpreender-me
Antes de acordar ele está lá,
Numa espera de acusação.

quero o dia de hoje para aprender-te sobre  amar.
um dia que não existe, sobre uma ideia que não será.
das pessoas quero a distância e a magia de ajuntar.
meu coração, ali em Gibraltar.
Se existe medo, existe esperança.
Conviver é traduzir você.

Sabe a vida, ela é bem curtinha.
Sobre o amor: Não Obrigado.
A melhor religião, um bom coração!

noite cheia de febre e notícias sobre o amanhã,
mas o amanhã ainda não veio,
não há certezas,
só meu corpo alimentando esperanças.
Mas, eu não existo,
Sou no máximo
O esquecido.

Eu não existo,
Quem dera fosse essa tua vontade de lembrar de mim.
Assim eu seria bem mais feliz
e, saberia de todo amor vivido.

A morte é um roteiro de filmes que sonho em escrever, 
toda noite na minha dor ela reina sobre mim, 
assim eu me entrego. 
Não há mais dor.

A dor é uma peneira, através dela filtramos pessoas.

Quando você passou por mim na rua, eu era o poste, você era a rua.

meu corpo é tosco, dócil, frágil e febril.
um corpo, um leito, uma dor,
um corpo quer saúde
e todo corpo quer amor.

o dinheiro para sonhar é pouco,
o que tenho pra viver é fantasia.

enchi meu coração desse vazio,
agora eu quero existir.

não alimento mais nada que não seja amor.

No frio mármore a chama logo se apaga.

quem sabe a estética possa traduzir os dilemas do querer.

a rua é furacão, voraz ela devora.
a rua é teu coração, suave me consola.

até que a última palavra seja despedaçada, riscada,  apagada e esquecida.
e que possamos aprender sobre os gestos.

O que penso saber são rastros de insignificância
a palavra dita é força,
a palavra pensada é querer,
a palavra escrita é promessa
o fogo dessa ideia é você.
poetizar palavras,
poematizar emoções
e jogar pedras
na parede do teu coração.

Palavras que Desnudam

Tudo rápido, intenso e cheio de agonia.
Agora que o dia chegou
Lembro que não posso
Esquecer você.

Continuar distante

uma impressão pra minha expressão, 
uma condição pra que haja concessão, 
o que não sei dizer, 
junção de mundos entre o ir e o voltar, VOCÊ.

Os meus olhos, eles não dizem nada, só pedem socorro.
Ela anda armada com seus olhos de fúria e paixão, só os loucos de coração podem olhar e sobreviver.
O olhar dela é mortal, uma lâmina suave que tudo separa de forma indolor.

Em terra de pedra, areia acomoda

Toda fantasia da paixão caminha para morrer no prazer.
Ainda sei te descrever, te escrever, traduzir o infinito de você.

E ela cega, nem percebe os vultos que as palavras forjam ao seu redor.
Tudo que há de extremo tenta contemplar o riso dela.

Só a lógica não é suficiente para manter o mundo.

Em mim, o amor é um varal onde o impossível estende suas vestes de desejos.
A existência pesa mais nas madrugadas.
O amor é um cão danado, ele furou meus olhos e agora acena pra minha dor.

habitarei essas montanhas
até que os mares do teu coração
tragam teus dias
para varanda que
temos por sonhar.
Assim, desabandono-me
sobre os outros

quero bailar na desarmonia do teu coração suburbano, que a tudo reage
e que de tudo necessita.
Sou a alma de um marinheiro português,
eternizada na saudade dos lugares conquistados. Cavando segredos nas palavras dos seus fantasmas
agendar impossíveis
rastrear amores proibidos
dormir na nudez estúpida
dos teus olhos vazios.
Recriar o éden e partir
para o mar, amar.
Meus dentes quebrados
pés descalços
frio no corpo
E uma ideia imutável 
Visitar os bares de Liverpool
financiar meu coração de poesia

A Extremidade das Palavras

sem fim era a irradiação dos seus olhos,
assim ficamos cegos diante desse castelo de abandono.

Quando o céu estupidamente se rasgou, 
como uma revoada de pássaros, senti a chuva devorar meus poros.
Na janela da saudade onde ninguém se vê, 
não há mais jarros, nem flores.

Havia um jarro branco na janela dela, com flores coloridas. 
Um jarro branco na janela em que ela aparecia para o mundo.

Não tenho sonhos, nem medo, nem imaginação. 
Minha angústia de existir consome meu coração.

Agora é dia
Hora de ficar
Com o seu amor.
A lua, a chuva, a mesa.
Vozes, vinho e comunhão,
A solidão embriagada sorri,
E meu olhar dançando no salão.
Agora o gosto na boca é de amar,
Há tanto gosto em mim
e desgosto no sonhar.
Só agosto que chega assim,
fazendo doer e querendo sangrar.

Quando ela me lança atenção,
o mundo faz silêncio,
eu corro feito um menino.

extremada e exagerada é ela,
vulcão de beleza que confunde
o significado da palavra bela.

O amor é uma extremidade de loucura, 
e todo dia ela se refaz cheio de razão e louco de paixão.
Vou provar do teu veneno,
Sentir a morte do teu amor
Esfriando meu corpo, 
Tendo a tua lembrança     
Gravada nos meus olhos
De doação.

Gosto da palavra deusa,
Me qualifica diante da palavra mulher.
Mulher é plural
deusa e mulher, ela reina sobre mim.
Sou o verbo do desejo...

Assim despercebido eu existo,
e o amor todo dia passa por mim. 

VIDE BULA

Leia tudo que há despedaçado em mim, 
um coração vil e um desejo torpe 
traduzindo palavras para te alcançar...
Sou matéria retorcida, reaproveitável...
Ferro velho na amplidão do fogo,
e teu olhar cego não sabe trazer a brisa.

Rascunho de mim mesmo, 
preso entre ser e o talvez.
E agora devorado pelo teu olhar, 
me ofereço como troféu do teu querer...

Enfrentar os monstros do dia a dia e sobreviver,
viver em meio a dor e resguardar-se no amor.
Falo somente de você 
e da distância e da saudade 
e de como o amor exilou-se, 
deixando apenas palavras de contato...
Não falo da sua beleza radiante 
que prefere a sombra, 
não falo do desejo que calou-se em você...
Não vou falar do seu silêncio gritando em mim, 
nem da sua voz muda, 
nem da sua ausência na minha emoção, 
nem da tristeza do seu olhar.

Derradeira e primeira agonia que habita meu coração de pedra, Você.
Vou correndo apagar as lembranças dessa agonia...
Tempos áridos de pessoas que usam o tecido amargo em suas vestes,
Para onde nos leva o caminho em que estamos, 
tomará que haja caminhos, 
e que haja escolha e destino nessa aventura,
Desde quando eu conheço essa saudade inexistente,
desde que o dia desenhou formas na minha descrença em você...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Palavras Desesperadas (ou Quando Chamei Por Você)


  
          quando gritei o seu nome,
          ela corria nas calçadas.
 
          e as ruas faziam curvas a cada grito
       
          quando gritei seu nome,
          tudo em mim era chuva.


          quando olhei a rua
          o que havia de sol
          era o sumiço de você.
 
          na rua a estranheza
          de viver.
          quando te chamei,
          não havia mais grito,
          nem havia teu nome,
          nem a rua existia.
 
          foi ontem, foi hoje e foi amanhã.

Palavras que Querem Ser

Porque se eu disser que é sonho,
meu mundo é sonho.
Se eu disser que é falta,
meu mundo é você.
Se eu disser que é dor ,
meu mundo é ausência.

Se eu disser que é nada,
meu mundo é carência.
Se eu disser que é pouco,
meu mundo é agora.
Se eu disser que é tanto,
meu mundo é talvez.

E por mais que eu diga,
nada do meu mundo
me contempla,
nada do meu mundo
me conforta, 
nada do meu mundo,
consegue alcançar
meus extremos.
Por mais que eu diga,
ou por mais que eu queira,
não há mundo suficiente
para tanto querer.

E por mais que fale,
ainda sou mudo,
por mais que veja,
ainda sou cego,
por mais que escute,
ainda sou surdo.
E o mundo é tanto,
é tudo e é agora,
e eu não tenho força suficiente
para ser o que quero ser,
o que devo ser e o que
preciso ser.
Só sei que quero,
e essa vontade é tanta,
é tudo e, mesmo
sendo tão pouco,
é o que me leva.
é o que me conduz,
é o que me possibilita ser.