sexta-feira, 31 de julho de 2015

Palavras Que Não Encontram Caminhos


não quero pontes entre mim e a distância, quero o distante ali inalcançável sobre mim, sempre meu desafio

não quero portas nem aproximação, quero a dor pulsante do ausente, fazendo valer meu coração.

nada de juntar,
quero essa agonia constante
que fere no ato de separar,
a dor que só é curada
no momento de amar.



A Menina "Doida"


Suave e calma a menina "doida" sorri para o mundo anormal. Menina teimosa que só sabe fugir do caminho de menina, que ela teima em trilhar só.

Ela caminha enquanto os outros choram, e ela sabe ir e voltar numa meninice dócil e venenosa da mulher que virá...

de tão teimosa será menina essa mulher,

de tão menina será eterna essa mulher.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Da Agonia da Vida e da Poesia

Antes de ser calcária a pedra é poesia,
antes do fogo, só a vontade divina existia.
e a vontade divina era poesia.
Antes do homem, o firmamento
não existia.
Antes do homem, o firmamento
era poesia.
Antes do fogo, o medo era poesia.
Antes do fogo, o medo nada consumia.
Antes do homem, a palavra não existia.
Antes do homem, a palavra era poesia.
Antes da palavra, nada existia.
Antes da palavra só a poesia existia.

Antes de ser pedra e poesia
em mim tudo é agonia.

Antes de toda agonia,
a poesia me consumia.
Antes da poesia,
nada em mim sobrevivia, 
E antes de mim, nem a verdade,
nem a poesia existia.

A poesia era uma pedra
da palavra agonia.
A poesia era uma pedra
onde tudo existia.
Onde existia poesia,
havia homem, pedra e agonia,
e a poesia há tudo consumia.

Porque de tudo que existe,
o homem
ou é pedra ou é poesia 
ou é agonia.
Tudo que existe é "homem",
tudo que existe é poesia.
E a palavra e a pedra
vivem tranquilas 
nessa agonia.

Só existe a vida, a pedra e a poesia,
porque o homem existe
na sua agonia.
E a sua agonia
tudo quer fazer poesia.

(quando esperava minha filha na escola)
Dedicado ao poeta Waly Salomão

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Filosofia do Prego

Eu vi o prego reclamando do martelo
Cansou da sua utilidade
Quer ser adereço apenas

Não estou em lugar algum, 
nem quero ir nem ficar, nem falar nem olhar, nem planejar... 
estou aqui, expondo palavras de mim sem razão alguma.
No fim é cada um com seu exotismo e vamos tramando laços de afinidades ou amizades

as palavras são dores
e sangue
sobre o que suponho sentir...
exponho minha crueldade
assim na nudez dessas palavras
sou verbo de desejos intermináveis...
agora que morri,
podem jogar
essas palavras em mim...

escondido em mim habita um monstro
que habita em lugar nenhum
que desabita palavras
em busca da atenção
desnecessária do seu amor...

Faltou o ar e o chão
depois que você fez falta
nas bandas do meu coração...

promessas...
exposição de erros
e palavras de repetição.
não há sonhos, há saudades...

Agora é noite no tormento de nós...
Noite no abismo do desejo
Agora é tempo de exaurir-se...
Desde quando eu conheço essa saudade inexistente...
desde que o dia desenhou formas na minha descrença em você...

pessoas que mentem e fingem constantemente...
pessoas carentes...

discurso de político fascista, de religioso extremista, de imprensa sensacionalista e de economista tentando ter razão em explicar o mundo.

Quando não diz nada, prevalece a morte do diálogo...

Pra onde nos leva o caminho em que estamos, 
tomará que haja caminhos, escolha e destino nessa aventura...
O papel da poesia economia política saúde moradia educação é trabalhar com a melhoria da nossa existência...
A liberdade que queremos parece ainda não existir em nossas ações...
Há um desastre agora acontecendo...
Na mente das pessoas.
Alguns podem sentir essa dor?
Outros simplesmente não sentem mais...
Tempos áridos de pessoas que usam o tecido amargo em suas vestes...
O doce dia da nossa felicidade também revela a estupidez do mundo...
Vou correndo apagar as lembranças dessa agonia...

Acomodou-se!!!
Bela lápide...

Sou matéria retorcida, reaproveitável...
Ferro velho na amplidão do fogo,
e teu olhar cego não sabe trazer a brisa.

Rascunho de mim mesmo, preso entre ser e o talvez... angústia existencialista

Eu louvo o caos absurdo das palavras,
Que fere mortalmente a alma vazia dos que segregam a palavra em nome de um saber, leia-se poder.

Ah o rancor!!!
Pedra maldita que impede o cadáver de mexer no túmulo...

Tarefa fácil acompanhar a trajetória dessa noite chuvosa...
Sentado na noite dos abandonos...
Sorvendo noites dos lugares inexistentes em mim,
Lugar vazio onde plantamos lembranças...
Os sertões continuam para além de toda saudade...

Homens fantasmas acenam no caminho dos sonhos, enquanto a chuva assina a lembrança dos dias intermináveis.

Aos tolos: tolices!!!

Escravo das palavras, vício miserável...

Coisas simples demais, tipo o que você pensou agora...
Coisas pecaminosas, tipo otários das redes sociais....
Coisas divinais, tipo orgasmo de namoro...
Coisas descabidas, tipo frustração de amor...
Coisas naturais, tipo alegria de torcedor de futebol...
Coisas propositais, infligir dor.

O vinho é um deus que incendeia o coração dos desejos...

Não vou pular corda na brincadeira do seu destino...
Prefiro o castigo da minha liberdade.

Hoje quero andar nu na agonia dos moralistas...

Palavras de Quando Ela Resolveu Amar

O veneno mais provado é a cura dos teus beijos...
É puro ácido e rock and roll... a ternura do teu desejo...

Aqui no campo da inexistência percebo você, 
vou psicografar palavras e sonhos, 
quem sabe diante das tolices possa voltar a amar...

Na minha boca a orgia dos sabores...
E agora devorado pelo teu olhar, 
me ofereço como troféu do teu querer...

Um passeio em plutão
Um degelo do teu coração
Gestos de juntar e afastar
Silêncio, ódio e comunhão
Amor, sexo e confusão.
Do que somos capazes.
Sentada nessa escuridão de palavras alheias,
ela nem se percebe.

Fogo e erupção: na sua cama o meu desejo.
Fogo e inundação: a sua boca e seus beijos.
Fogo e devastação: os braços dela num convite de ficar...

Palavras Desabitadas


Não vou falar do seu silêncio gritando em mim, 
nem da sua voz muda, 
nem da sua ausência na minha emoção, 
nem da tristeza do seu olhar...
Não falo da sua beleza radiante que prefere a sombra, 
não falo do desejo que calou-se em você...
Falo somente de você e da distância
e da saudade e de como o amor exilou-se, 
deixando apenas palavras de contato...
Eu já falei o seu nome? !
Esqueci, vou (re) aprender sobre epílogo...
Derradeira e primeira agonia que habita meu coração de pedra... Você.

Pra não dizer que não te amei,
Saiba que te amei...
Mas agora adeus.

Todos recolheram-se.
Só ela sabe do amor
Que nenhum homem
Não soube amar.
Ela sabe desse amor que há nas cinzas
Poço do deserto e chave sem portas
Ela tem o poder das magias
De todas as palavras.
Longe dela os outros não existem.
Perto dela todos são ninguém.
Perto dela ninguém é nada.

domingo, 19 de julho de 2015

No Divã da Minha Amante


Carência e insatisfação marcas da nossa condição.
Caminhos percorridos evitam erros cometidos.
Caminhos percorridos ensinam da mestria de saber caminhar.
Saudade é convite para refazer caminhos.
O frio da serra contém beleza e poesia.
Enquanto o frio das pessoas afasta toda possibilidade de vida.
Estou vendendo o lugar vazio do meu olhar.
Enquanto chove percebo a distância do mundo, sinto o desperfume das ausências.
Quando você voltar, será de outro esse lugar,
Aparando o excesso das dores com a tesoura da vida,
ali, fora de mim, o mundo não tem fim e me chama pra continuar.
Chuva e frio enfeitam o dia aqui na serra.
Na hora da dor, solidão
Na alegria, comunhão.
Aos amantes o prazer de ser, de sentir, de gozar e de viver.
vou descer aos porões do teu amor e me embriagar com o vinho do teu prazer.
Só na heresia do teu corpo meus pecados alcançam a paz,
Palavras de condenação.
É esse imã de crueldade do teu olhar que me convida para morder tua jugular.
Palavras de salvação.
Estou preso a este mundo como o sangue que escorre do ódio do teu olhar...

Palavras Ditas no Enterro de Amélia


Quando ela ria eu acreditava
Que o sonho era real
No vendaval dos meus sonhos
Ela estende seu vestido de nudez
E eu sigo cego na direção do abismo
Ela sumiu na poeira das palavras
E seu humor deixou no varal.
Você não é ela,
Você é eterna
E Amélia foi lavar roupa e nunca mais voltou.
"Leve pétalas" desse dia
Leve consigo essa alquimia
Viver e amar.
Entre as intenções
Ofereço permissão,
Bem distante na metáfora
Do não dito
Encostei-me para te ouvir
Bem ali na paródia do sorriso
Descansei meu orgulho
Na espera da tua sombra
A minha dor é brisa que some diante da crueldade do mundo.



Palavras do Navegador


Noite imensa
Que não espera nada
Dos mortais
Existo nessa agonia
Enquanto os dramas
Do amor não são
Nada de mais.
Juntos na alegria e na dor
E na ausência de todos.
Agora é todo esse dia pra viver
Era pra sonhar e eu dormi
Era pra dormir e eu acordei
Era pra pular, eu chorei
Era pra calar eu pulei
Era sem motivo algum
Eu amei.

Vou voltar,
Agora é hora
De ir,
Os tolos
Estão certos
É sempre tarde
Para arriscar.
Vamos aos negócios,
Quanto por uma noite de sono,
A gente vem sem lugar algum
Procurando um lugar de descanso.
A gente vem do lugar que sonhamos
A gente vem com medo do desejo,
E você não fique perdida nas palavras
Venha trazer seus argumentos
Vamos adoçar esse chão azedo,
O centro desse lugar
É o espaço
Do meu coração
Não quero apenas morar
Quero habitar,
Fazer parte até hora de navegar.

Palavras Sobre os Desenhos Inexistentes

Viver é uma condição inadiável.
E eu vou ali acordar.
Ela vive.
Não quero o toque das pessoas, quero o sangue de suas palavras.
A noite avança como um filme repetido, 
Eu devoro a madrugada com sua chuva e frio.
Era madrugada e eu não sabia sonhar
Viver, realizar outro amanhã.
E as cortinas desse cenário deixam juntos  atores, plateia e enredo.

De noite uma borboleta devora meu dia
O perigo é adiante.
Falésias no meu coração, território perigoso, sombrio e inabilitado.
Mas existe um farol que tenta afastar os desavisados.

Escrevia nas mãos recados endereçados para ninguém,
Escrevia para ninguém recados que cabiam nas mãos de todos.
Nos recados e nas mãos cabem todos e ninguém,
Cabe você no vazio desse desenho,

A Borboleta Voraz e O Jardim de Pedras

Ela vem brilhante e eu fico cego,
Os homens dormiram com medo em plena solidão.
A chuva mostrou sua face,
E no calor da noite ela fugiu,
Fez frio no jardim desabitado.

Em memória do seu olhar.
Guardavam retratos nas gavetas,
Abraços nos armários e não queriam sorrir como prova de fragilidade.
Então eles se olharam e disseram adeus.
Foram cada um pro seu lado, simples assim.
E ambos carregavam toda dor do mundo de um amor desfeito.

Palavras do Divã Morto


Meu jardim é um canteiro de pedras.
Todos passam e deixam lembranças.
Sobre as flores mortas não sei ainda nem importa tanto
Importa ser agora
Sendo assim serei um dia
Então ainda não sou
O que quero ser,
Minha angústia de ser.
Se ela não é ela, quem será esse tormento que fica vagando em minhas palavras,
Assombração de amores desfeitos.
Arrasto correntes pra mim mesmo
Sou meu próprio fantasma,
A noite é uma noiva distante, apelando por altares e promessas de amor eterno.
Nem borboletas, nem fantasma, apenas uma fantasia do carnaval que eu perdi.
De longe nem ela nem ninguém me reconhece, assim passo despercebido por ruas e praças
Quando ela me assombra com sua falta de palavras e olhos de multidão, eu corro para janela do meu Medo e aceno como alvo.
Ela é um fantasma com riso e sonhos nas palavras, e eu um tolo que desaprendeu a viver.