quarta-feira, 24 de junho de 2015

Abusando das palavras...


chega de ventar, vou fluir e virar poça de lama no caminho dos transeuntes...
o vento é uma espada cortando os segredos da cidade...
expondo o nada ao mundo (o nada que mantém o mundo),
o mesmo vento é melodia celestial que os amantes escutam...
o vento é um louco gemendo no ouvido dos medrosos...

quando eu souber o que fizeram sobre que pensaram de mim...
vou rir dos tolos, rir de todos...
o desespero masculino é tão pobre e carente de pedras, sol e abstinência...
no sertão eu quero o  mar, no mar eu quero a serra, e sigo na chuva do deserto...
não há repostas suficientes nem necessárias... há uma fatigante exposição de palavras carregadas de desolação...
isso mais parece um divã... num quarto escuro, sem analista, só eco da consciência...

eu nem sei mais imaginar o que você imagina de mim...
já é tão tarde e faz frio e os carros cintilam em busca de outros prazeres...
que lugar é esse em que me decomponho e nunca acho o que procuro...

Nenhum comentário:

Postar um comentário