sexta-feira, 18 de abril de 2014

POR QUE OS HOMENS MORREM?!!!


Por que os homens morrem?!!!....A grande maioria morre por não saber amar, é fácil essa resposta? É nada!!! As pessoas, os homens morrem assim aos poucos, morrem aos montes, e o pior é que muitos permanecem como se estivessem vivos, vagando entre os outros humanos, tornam-se uma espécie de zumbis, que se alimentam da vida e do amor alheio para poderem sobreviver, para poderem continuar vagando no mundo dos vivos. São pessoas mortas que alimentamos sem querer, e sem saber que estão mortas, jogamos sobre elas o maior dos nossos esforços, o melhor das nossas vidas e muito do nosso amor. Erramos agindo assim? Claro que não, somos nós os vivos que alimentamos nos mortos a esperança e a fé que temos em nome do nosso amor. Somos tolos, somos cegos ou porque enxergamos tão pouco sobre a insanidade alheia? Somos humanos e o discernimento é um dom que precisamos desenvolver em nossas mentes, uma capa protetora que nos permita ver para além do manto torpe das aparências. Nosso pior erro é que acreditamos cegamente sobre o que não temos certeza, acreditamos no aparente como algo real, algo concreto e definitivo, infelizmente não há nesse mundo real algo que seja assim tão firme e forte no campo das certezas. O real é aparente e nossas certezas são tão frágeis quanto um bebê recém nascido. Definitivo mesmo é a transitoriedade da nossa existência.
Por uma questão de dignidade devemos aos mortos no mínimo um sepultamento e, assim nesse ritual aprendemos sobre o desapego, a separação e sobre a superação da dor e da perda.
Cumprido os ritos obrigatórios, guardamos um luto como prova da nossa dor, prova do nosso sofrimento. Posteriormente nos reservamos, e na solidão dos nossos sentimentos refletimos sobre a nossa existência e sobrevivência. Acontece que o tempo, que só existe nas nossas experiências psicológicas é o elemento que nos permite a superação e a cura de toda dor que a morte e a perda causam em nós.  
Certa vez Sêneca escreveu para uma senhora romana tentando confortando-lhe sobre a perda de um ente querido, ela estava sofrendo e excluía-se do mundo, do convívio social, sua dor persistia, e ele começa sua carta perguntando, “o sofrimento deve ser profundo ou eterno.” Sofremos e sobrevivemos ao que nos causa dor, assim avançamos sobre os escombros dos nossos infortúnios. Assim maturamos nossa humanidade através das nossas experiências de vida. Sempre somos afligidos pelos sentimentos de perda, porque vivemos guiados pelos sentimentos de posse.
O que ou quem gostamos não nos pertence, não é nosso, é do nosso amor. O amor não permite e nem aceita possessões. O que é nosso é o que conseguimos dar e compartilhar.
Todos morrem essa é a pior das nossas fatalidades, mas nunca nos preparamos para essa ocasião, até então tudo bem, isso faz parte da nossa condição humana, não queremos o fim, queremos continuar, queremos permanecer e nos eternizar, queremos viver, eis que nem todos sabem da própria condição em que estão, falta sanidade, falta sensibilidade e falta razão que possa permitir uma tomada de consciência sobre a realidade em que se vive. Alguns estão morrendo em nossas vidas, muitos estão mortos em nós e tantos outros são fantasmas que vagam em nossas existências.
Somos uma fonte geradora de força que alimenta muitos e que gera vida para milhares. Nós somos a vida, nós temos a vida, carregamos conosco uma diferença que permite essa magia, o inexplicável sentimento do amor. Uma imunidade própria que nos permite sobreviver e alimentar a vida para além de nós mesmos.
O velho Schopenhauer nos alerta para a vontade de viver,  o hardware do nosso sistema que funciona em nós independentes das nossas inclinações, um dispositivo que contém a nossa marca ou condição humana, a vontade de viver é o que nos impulsiona a despeito de qualquer condição ou situação que estejamos enfrentando, somos conduzido por essa força estranha que habita em nós, a vontade de viver...
Vivemos na busca do sentido da vida, e traçamos planos intermináveis durante nossa existência para tentar encontrar um segredo, um tesouro ou algo que pensamos estar perdido ou escondido e assim aceitamos a condição de vivermos nessa empreitada de procurar nos nossos horizontes uma certeza, uma garantia para nossa existência. Vivemos fazendo rodeios em torno da nossa existência, tentando encontrar respostas que na maioria das vezes somos nós mesmos que sabemos como respondê-las...
Não devemos depositar nos outros toda nossa esperança de felicidade, aos outros cabe participar da nossa felicidade, quando assim nós permitimos, o outro não é garantia de felicidade, o outro é parte da nossa existência, eu existo logo espero que o outro existe também, assim ser feliz não é condição que dependa dele ou de mim, ser feliz é a nossa pretensão metafísica, ser feliz não é uma meta a ser alcançada, ser feliz não é um objetivo, a felicidade assim exposta é como o paradoxo de Zenão, dilui-se na infinitude da nossa existência. Como ou o que fazer para alcançar a felicidade e deixar que Zenão descanse seu medo?! simples, sendo feliz sem ter que lutar pela felicidade. Ser feliz é ser quem somos, sendo o mesmo e novo a cada dia, o mesmo renovado, sendo em nós a “mudança e a permanência que queremos para o mundo.” É algo assim fácil de entender e difícil de viver, porque ela resida na simplicidade da nossa própria vida. A felicidade é todo dia, ela é nossa existência, então a vida está difícil e às vezes ela é dolorida, bem vinda ao mundo dos mortais, onde a dor participa na composição da nossa felicidade.
Porque você é alguém especial, e o que fazemos para ser assim aos olhos dos outros? Na verdade não fazemos nada, nós existimos, o que dá uma importância especial para alguém, é a forma como os outros nos vêem, como somos, como agimos, algumas pessoas nos identificam com valores e sentimentos especiais, na maioria das vezes nós sabemos como ocupar os espaços vazios e carentes que elas possuem. Lembra da pessoa certa, da palavra certa, da hora certa, isso é uma adequação humana e psicológica que sabemos utilizar de forma sábia e honesta, nas situações em que o outro concede a nossa atuação, em que atuamos quando o outro não sabe e nós fazemos em nome da nossa índole, da nossa ética, educação e humanidade.
Por isso, não morra no coração de ninguém, e quanto aos que sofrem faça-os viver, em nome do que lhe faz viver, lembra das lições básicas da matemática, diminuir para não perder, dividir para ser a comunhão, multiplicar para criar raízes e somar quando as outras operações forem esquecidas. Quer a luz, seja o fio condutor, quer o fogo seja a sua razão, quer a verdade seja a palavra que ela alimenta, quer o abraço seja o afeto que ele representa, quer o riso seja a tolice das gargalhadas, quer o poder seja a simplicidade, quer a dor seja orgulhoso, quer o saber seja humilde, quer a riqueza aprenda com os outros, quer a força seja o seu semelhante, quer o respeito aceite as pessoas. Quer viver mais seja eterna, quer ser eterna seja você, seja verdadeira, seja honesta. Quer ser amada, ame enquanto viver.
Sua vida é como um balde, uma taça que vai sendo preenchida com a água da vida, deixe sua água transbordar e escorrer pelos cantos onde você vive, deixe inundar os lugares inabitados, deixe-se e quando a fonte secar entregue o que restou da sua água, você é espaço que permite a existência, você é apenas um instrumento, acha que deu ou fez o melhor, dê o que lhe resta, faça de novo, faça mais, faça melhor, não dê as sobras, dê o melhor, lembre dos poetas nordestinos: “quem tem o mel dá o mel, quem tem o fel dá o fel e quem nada tem nada dá.” Não esqueça, todos esperam, todos querem receber, seja você, o melhor de você.
Quantos aos homens e mulheres que morrem ao nosso redor, que não seja pela falta da nossa doação; aos que morreram, o nosso respeito. Cuidemos em viver, para que não venhamos a morrer do mesmo mal, não saber amar. Cuidemos em amar, para que a morte não seja tão presente na vida de tantos. 



5 comentários:

  1. Texto super, hiper, mega maravilhoso!
    VOLTA A ESCREVER!!!! ;)) Bjusss

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    1. Obrigado Nádia... vamos continuar vivendo e escrevendo...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Loucura, Insanidade, Insensatez, Ingenuidade... não há regras ou teorias que descrevam esse sentimento, essa busca ou a frustração como resultado. O que temos unicamente é a perpétua vontade de encontrar algo etéreo que nos transborde, complemente e unifique nossa existência!
    Parabéns amigo pelo belo texto. Abraços eternos.

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