segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


A LENDA DA HISTÓRIA SEM PÉ E SEM CABEÇA... 
O má fazejo rodiô o terrero numa ventania danada, os bicho tudim sumiro no mei da puera, numa algazarra de menino ruim, de baixo da cama tava coroné cundé, o fí do finado Bonfim, as duas muié deles, daí chegou um omi veio, todo feio e metido a brabo que nem cobra venenosa, e gritó mermo na porta chamando os otros que tavam cum ele.
-Pode vim, a casa tá desarmada!
Pois tava tanto, era o que ele pensava, o que tinha de muié e menino escondido era algo de encher um açude. Sem contar que tinha cincu homi e dois vei escondido, no alçapão além disso tinha mais seis muié e quatro mininu. Era gente demais escondida naquela case no meio do nada, bem ali na beira do pé de serra, as terras todinha era do tal coroné cundé, o nome dele mermo era Francisco, cundé era apelido de quando ele foi soldado, num sei quando, sei que um dia ele chegou cum derrama de dimêro, disse que ganhou lá pras banda da capitá, e que agora ia ser dono de terra, e já era coroné. Eita promoção da bixiga, ai depois ele comprou as terras dos primu dele, que era a serra do arrudei, ele comprou ela todinha, tinha água, mata, roçado, gruta, açude e muito bicho pra criar, levava uns três dias pra dá uma volta nela todinha, e pra subir era um dia, lá de cima dava pra ver as nuvens e o mundo que ninguém nunca chegava até lá.
Agora o homi já era coroné e tava rico, ele ficou valentão, e paro de pidi, nem mandava mais não, só gritava, e num era gritinho qualquer não, ele berrava feito onça cum fome. O coroné tinha fama de inguinorante, era um bicho de educado, diziam inté que ele tinha uas morte nas costas, pra mais de dez, por isso que ele só andava com dois cabra de lado dele, parecia político cercado de babão.
No cair da tarde os dois capanga dele tavam estirados no terreiro da casa, morto não, porque aqui nessa história eu não to muito afim de matar gente hoje não, os dois tava amarrados juntos e gritavam e levavam uas tapas também, entrou cinco homi na casa e, mandaram as muié sair e os meninu tudim, sem contar os vei, porque naquelas terra vei é mais que gente, vale por dois.
Um dos cabra disse: Oxi homi isso daqui parece um grupo, de tanta gente ou é um posto de saúde, vão arrastar o tal do Cundé e Bonfizim, fi do outro lá que a gente já deu fim, após foram lá dentro e trouxeram os dois puxando pelas oreia, o Coroné  pulo logo e disse: tira as mãos de eu, porque só quem passa a mão em mim, é minha mãe, minha muié e minha fia. E o cabra matador disse: se eu quise eu passo a mão em tu Cundé e na tua raça toda, tu duvida?
E o coroné logo respostou: - quem duvida perda vida!!!!
Foi um silêncio de feira, era uma gritaria sem fim, um tal de mate não, mate não, e só ouviu foi o pipoco, pei bufo, todo mundo no chão gritou o cabra, o tal matador e o coroné foi o único que ficou em pé, os outros chegaram perto e tava tudo grunindo feito cachorro amarrado, foi quando o coroné disse: mais vocês querem o que mermo aqui na minha casa, seus porquera?

(continua...)

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