quarta-feira, 27 de julho de 2011

DIANTE DOS OUTROS

DIANTE DOS OUTROS OS OLHOS ERAM FAÍSCAS DE SILÊNCIO E DOR, ERA UM CONTRASTE DO FOGO QUE ARDIA NOS ROMPANTES DE CELEBRAÇÃO COM O CANTAR DAS CHUVAS, SAIU DEMORADO E NUNCA FALAVA SOBRE RETORNO, UM CONTORNO CONSTANTE COMO SE A VIDA FOSSE UM GIRASSOL, NADA DE ACENOS, SOMENTE UM RISO E A CERTEZA QUEBRANTADA, CERCADA DE INTENÇÕES E ESPERANÇA.
ERA SEMPRE ASSIM, DIANTE DOS OUTROS ERA  MEIGUICE E PREGUIÇA, UMA DOÇURA DISFARÇADA COM ENCRENCA E DESCONFIANÇA, DEPOIS AO VIRAR A ESQUINA DOS OLHARES, DESFAZ-SE TODO ENCANTAMENTO QUE AS APARÊNCIAS TRATAM DE CONVERTER EM POESIA LÂNGUIDA. TENEBROSA É O ALCANCE DA TUA RIMA NA ACEITAÇÃO DE QUEM COMPRA TUA PERSISTÊNCIA.
É SEMPRE ASSIM, CAMINHOS MAUS FEITOS E CARA DE REZA CERTA, FOME CURTA E DOR APERTADA, UMA AGONIA QUE DA DÓ. DIANTE DOS OUTROS TODOS SÃO ALVOS E OS OLHOS SÃO COMO REDEMOINHOS MISTURADOS COM AREIA MOVEDIÇA, UM LAÇO DE CONSUMAÇÃO, APERTANDO O NÓ DE CADA FUGA.
DIANTE DOS OUTROS TODO CÉU É PRAIA RASA E, AS BOCAS FAMINTAS ESCONDEM-SE  ATRÁS DE BEIJOS CÂNDIDOS, DEVORANDO OS OLHOS DE QUEM LHES OFERECE UMA FRESTA DE CONCESSÃO, PERMITA-ME OFERECER A MINHA COMPAIXÃO DIANTE DOS TEUS OLHOS DE LOBO MAU. UM AFAGO E UM TAPA NO MESMO ROSTO, NO MESMO CORPO, NO MESMO ATO, NA MESMA CAMA, NA VELHA DOR E NA NOVA PAIXÃO.
DIANTE DOS OUTROS A MENTIRA PARECE COM ELA PRÓPRIA, PORÉM COM CONTORNOS DE VERDADE E ILUSÃO, UMA VERTIGEM QUE CONFUNDE  A MIRAGEM DESSE DESCAMINHOS QUERENDO SER UMA IDEIA DE ACREDITAÇÃO, BURBURINHOS DE LABIRINTOS NUM POMAR DE DEVASTAÇÃO.
DIANTE DOS OUTROS TODOS SÃO TOLOS E MANIPULÁVEIS, SOMENTE OS OLHOS NÃO CONSEGUEM DISFARÇAR TANTA ENCENAÇÃO. DIANTE DOS OUTROS É SEMPRE ASSIM, TUDO BEM FEITINHO, BEM CERTO E RIGOROSO, DEPOIS BASTA UMA SAÍDA DE UM PRIMEIRO QUALQUER, QUE  TUDO DESPENCA FEITO BANANA CAINDO DO PÉ. TUDO DESMORONA  NUMA NORMALIDADE CRUA E REAL, BANALIZANDO CADA ATO E CADA TENTATIVA DE CONTINUAR ATUANDO DIFERENTEMENTE. DIANTE DOS OUTROS NÃO EXISTE ESPELHOS, PORÉM DIANTE DE SI, CRIAM-SE MONSTROS DE IMAGENS NUNCA REVELADAS. DIANTE DE TUDO E DO EXPOSTO, O AVISO É CLARO, OS OUTROS SÃO CEGOS, OS OUTROS SÃO UM PALCO MOMENTÂNEO E CADA UM É ATOR DAS PRÓPRIAS CONVENIÊNCIAS, NINGUÉM É CÍNICO TANTO ASSIM QUE NÃO POSSA DÁ CONTA DOS OUTROS TÃO FRIAMENTE SEM REMORSO, E SEM UMA GOTA DE SATISFAÇÃO, TODAVIA O MUNDO NÃO É CRUEL A ESSE PONTO, SÃO AS VERSÕES QUE INSERIMOS SOBRE ELE QUE CAUSA ESSES EFEITOS NOS OUTROS.
DIANTE DOS OUTROS HÁ QUEM QUEIRA SER TOLO E DISSIMULADO, QUERENDO GANHAR O PRIMEIRO LUGAR DAS ATENÇÕES, COMO SE FOSSEMOS CRIANÇAS DESOBEDIENTES BUSCANDO NOS OUTROS UM LUGAR QUALQUER PARA NOSSA AFIRMAÇÃO.