sábado, 18 de junho de 2011

PASSEANDO NA MONTANHA

Era um homem sozinho pensado consigo, sobre si mesmo e sobre as consquências do mundo era só um homem andando em torna de uma montanha, tentando não subir enquanto caminhava para o alto do cume. Era sozinho e falava e cantava às vezes. Nem todas as vozes saberiam da sua fala, e ele não se fazia escutar, somente as árvores e as pedras e as nuvens o acompanhavam enquanto ele descia de si e subia pelas montanhas do seu coração, tentando responder a tudo e não cansar durante a subida. Tudo era apenas um passeio em torno dos seus olhos e uma caminhada sobre os degraus das suas palavras que teimavam em não se calar. Enquanto caminhava e se cansava com a montanha diante de si, ele seguia decidido e fatigado.  Pensava enquanto seu fôlego lhe enchia de prazer e disposição, pensava porque demorava tanto em se destinar a caminhar seus próprios caminhos, e aceitar a proposta da montanha que não lhe propunha nada, apenas existia diante dos seus olhos. Assim, seguia subindo, carregando suas palavras e seu peso e seu cansaço e sua vontade de subir, ele tentava finalmente alcançar sua melhor conquista, avançar sobre a montanha que permanecia incolume como uma estrada inexistente, convidando-o a seguir na sua conquista e permanecer seguindo e quieto diante da sua beleza. Era só um homem ainda vivo querendo seguir com essa caminhada, seguindo sobre os céus sem intenções de vôos, querendo apenas sentar quieto no sopé dos seus sonhos, uma subida de uma vida inteira, alguém que caminhava no coração da montanha, sentindo a dor de cado passo e passando no esforço do seu corpo. Era só um homem distante dos olhos dos outros e perto demais do conforto da terra, não querendo subir rápido enquanto avançava no perigo da solidão, pensava em não subir e em não descer, queria caminhar apenas, seguir na incerteza da direção que o conduzia ao alto da montanha, uma alegria que refletia nos seus olhos e uma montanha inteira de aclive, espalhando desafio e felicidade que o esperava sempre adiante, era só alguém caminhando em busca de nada, de um passeio pesado e cansativo, era e não era a montanha, era e não aquele homem, era e não era aquele momento, era tudo que importava naqueles novelos de eternidade em que um homem se vê diante da tolice das suas metáforas, caminhando e conduzindo o mundo que não lhe pertence, em cujos sonhos ele se vê desafiado a conquistar, assim ficou quieto enquanto subia aos céus da sua desimportância e brincava de subir pela montanha, sozinho e disposto, pensando consigo sobre o que seria feito depois de tudo feito, outros afazeres e aquele inesquecível céu de montanhas sempre ao seu lado, tudo existindo diante de si, enquanto ele caminhava além daquela montanha, uma caminhada além de si. E ele seguiu adiante, caminhou sobre a montanha.

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