domingo, 19 de junho de 2011

O VULTO DE MADALENA

Tudo que ela fazia era sempre um esforço contínuo, queria fugir de si e também queria se mostrar, um dilema do querer que aquela mulher carregava consigo. Sempre que se olhava no espelho ficava silenciada, uma estátua nua diante dos seus desejos incontidos. Logo cedo ela admirava suas mãos enquanto acordava mãos grandes e macias um contra ponto que ela admirava e não aceitava tão bem, mãos grandes que todos seus homens adoravam mãos macias que conseguia acalmar a fúria de um cão. Diante do poço em que se banhava, e por um instante expunha seu colo diante do sol, mulher de grandes olhos negros penetrantes e de um sobrancelha cheia, cabelos longos sempre cobertos, que só agora diante das águas ela soltava toda sua beleza e deixava se expor, ficava rindo quieta, admirada consigo mesmo, sim, ela sabia o quanto era bela, o quanto que seu pescoço era longo e atraia o roçar dos rostos dos seus homens. Ficava rindo consigo mesma enquanto suas mãos refrescavam seus seios com a água fria do deserto, sozinha ali, naquele momento, Madalena descansava seu pudor sobre a insinução do seu poder, assim mesmo ela conseguia irradiar seu fulgor, só a brisa passeava pelo seu corpo semi despido, e ao seu redor o silêncio ficava espreitando até onde ela iria se banhar. Assim, ela deixava os céus em redemoinho e seus mamilos negros eram duas espadas de ardor que muitos morreriam por tocá-los. Aquela mulher sabia do que se passava com o mundo ao redor, e ela só queria existir naquele momento de banho e refrescância, ali diante do afastamento do mundo ela percebia que tudo ao seu redor teimava em querer espiar sua beleza, outro banho de água que escorria pelas suas costas expostas, e ela aquietou-se consigo, deitou-se sobre suas vestes e apertou suas mãos sobre seus seios, enquanto uma nuvem lhe escondeu do sol, madalena adormeceu todo o universo enquanto descansava sozinha. Depois de tanto demorar-se, Madalena levantou seu rosto, vestiu-se e seguiu em busca da sua sina, sempre buscando a novidade e correndo atrás dos burburinhos, enquanto ela atraía todos os olhares, também buscava o que afetava os outros, onde havia rumores de intenções e revoltas ela conseguia ser vista, e seus homens sempre seguiam os intentos daquela mulher. Madalena era beleza mais vista nas redondezas, era mais citada e lembrada e desejada, e sua beleza se impunha também pela sua perspicácia e inteligência, ela falava enquanto as outras mulheres aceitavam os ditames dos dias caladas, ela ria enquanto muitas rezavam e chorava, ela discutia e opinava enquanto a maioria passivamente não existia, e quando chovia madalena corria na rua com os meninos, brincava e banhava-se ao sabor das invejas, desejos e discriminações, porém o que mais condenava e valorizava madalena, era o fato de que ela na maioria das situações e ocasiões demonstrava seu amor. Assim, ela assinava sua própria condenação, ela amava seus homens, ao ponto de não importando o que eles fizessem ou dissessem sobre si e sobre os outros, ela apenas amava-os para que eles pudessem existir, madalena era o sentimento que aqueles homens nunca teriam Madalena incendiando beleza e desejo ao ponto de se fazer amada e amar tantas almas sofridas e desejosas. Doce mulher que inunda o sentimento dos seus homens até na hora de sua morte, enquanto eles morriam alguns amados e outros abandonados, madalena sorri e acaricia suas mãos, beija seus rostos e chora no esconderijo do seu coração por cada um deles vivos e mortos e escondidos nas entrelinhas de cada pensamento. Doce mulher caminhando sozinha na terra dos homens visionários, querendo salvar a si em nome de tantos, somente ela sabia o quanto eles soluçavam nos seus braços de afeto e paixão, madalena que lhes distribuía paz e prazer e, eles depois corriam ao vento, emporeiando os sonhos de qualquer um, travando lutas com o céu e prometendo o paraíso a uns poucos, só ela sabia então onde eles encontravam o verdadeiro descanso, no conforto e disposição daquela mulher, e seu vulto ainda persiste nas janelas, nos espelhos, nas esquinas, nas camas e nas revistas, nas cantigas e nos corações dos que vivem na agonia e no desespero do desamor. Apenas o vulto de madalena persiste perenemente em cada lembrança e olhar, ela os alcança e consola a cada um com seu amor, amém. 

Um comentário:

  1. Eita que coisa boa você por aqui..... eu fico toda sem graça, quando leio aqui... você escreve tão bem.... que eu descubro que sou uma louca em ter um blog....kkkkkk
    E sobre a almofada espero que Ana tenho gostado...
    beijos
    Telma

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